segunda-feira, 17 de junho de 2013

SOLITUDE

                                                        


Com os olhos fixos no céu por algum tempo, minha visão escureceu quando voltei meu olhar para dentro de casa. Costumava fazer isso antigamente. Atualmente, pouca coisa ficou. Os anos passaram e levaram muito do que eu era: Eu não usava óculos; os pequenos cachos enrustidos deram lugar a tranças grandes. Era comum um boné na cabeça. Hoje sou mais adepto dos gorros. Ainda gosto de ler e escrever e ouvir música, além de procurar desenhos nas nuvens. Muitos dos meus K7's estão dando vida a poeiras dentro de alguma caixa esquecida. Acredito que leio menos do que antes e minha caligrafia mudou freqüentemente. Nunca mais recebi uma carta destinada a mim. Os meios de comunicação mudaram. No entanto, os erros de português eram autênticos, diferentemente de hoje, em que escrever errado, propositalmente, é quase uma lei. Outorgada por alguém que desconheço e por um motivo que ignoro. Independente disso, tenho muitos contatos (perfis em redes sociais e números na agenda telefônica), mas poucos contatos (comunicação). Eu deveria sentir-me menos solitário agora do que quando eu tinha apenas 9 anos.




Texto: Brasilino Júnnior.
São Luís, 15,16/06/13. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

MEU POETA PREFERIDO NUNCA ESCREVEU UM LIVRO



 Pelo fato de escrever poesias, é comum as pessoas me perguntarem qual é o escritor que mais admiro. Para não deixar ninguém sem resposta, eu acabo citando alguns. Pois, na verdade, não tive oportunidade de ler tantos livros do gênero, a ponto de criar afinidade por algum poeta.
 Sem dúvida alguma, onde mais recebi influência para escrever foi na música, uma parente não muito distante da poesia. Sempre gostei de ler letras de músicas, independente do cantor ou gênero. Quando o encarte do CD é composto apenas por fotos e informações básicas, fico até desapontado, pois algumas palavras quando cantadas lembram outras palavras, e a canção, às vezes, ganha um outro sentido, quando não perde o único que ali existe. Vindo deste princípio, os álbuns musicais eram na minha infância e adolescência, como livros, tamanha era a viagem que eu fazia trancado no quarto.
 Neste período, comecei a gostar das letras das bandas do rock nacional. Das que surgiram nos anos 80 e 90, gosto de quase todas. Algumas mais, outras menos. As músicas de protesto foram as primeiras com que me identifiquei. Acho que por isso abracei o rock and roll, pois neste sentido, ele traduzia muito do que eu pensava como cidadão comum. Destas, a que mais me impressionou foi a brasiliense Legião Urbana. Eu já conhecia algumas canções (Eduardo e Mônica,  Faroeste Caboclo, Há Tempos, Pais e Filhos) que costumavam tocar no primeiro rádio a pilha que meu pai me deu, lá nos meus 8 anos de idade. Mas, nesse período eu não sabia o nome de muitos artistas.
 Somente cinco anos depois, quando tive acesso ao terceiro disco deles que minha vida nunca mais foi a mesma. Ao ler aquela primeira estrofe de Que País É Este?, percebi que tinha ali uma nova possibilidade, um novo caminho para encarar a vida. Era rebeldia, mas não era uma rebeldia vazia (tatuagens, piercings e roupas pretas), era uma rebeldia de dentro pra fora, com poesia (letra) e melodia (voz, violão, guitarra, teclado, baixo e bateria).
O que me impulsionou a gostar da Legião foram as letras. Mas, tudo neles me agradava: a voz e a forma de como Renato Russo interpretava as canções que ele escrevia, a batida que Marcelo Bonfá fazia em sua bateria e os acordes que Dado Villa-Lobos tocava em sua guitarra. Era tudo tão simples e ao mesmo tempo tão sofisticado. Até hoje quando escuto ou leio alguma letra, volto a sentir aquela sensação indescritível de anos atrás.
Ao longo do tempo adquiri bastante material da banda ou de algum integrante em especial. Entre estes, está Alfabeto Urbano, um caderno escrito por mim, quando tinha 16 anos. Nele contém todas as letras da Legião Urbana em ordem alfabética e cronológica todas as poesias escritas por Renato Russo. Este poeta genial do rock que nasceu dia 27 de março de 1960 no Rio de Janeiro e que em apenas 36 anos escreveu sua marca no mundo da música e nos corações perfeitos dos filhos e netos da revolução.


Obrigado Legião Urbana.







Urbana Legio Omnia Vincit
Ouça No Volume Máximo
Força Sempre





Brasilino Júnnior, 27 de março de 2013. 



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

-A ALEGRIA SOLITÁRIA DE MIM MESMO-


É estranha a sensação de ser ou estar feliz sozinho. Enquanto o coração está radiante de felicidade lá dentro, os movimentos do corpo aqui fora parecem denunciar outras sensações internas. Senti-me hoje assim, aliás ontem, pois os ponteiros do relógio na parede já anunciam um novo dia.

Independente se hoje já é amanhã ou ontem ainda está no hoje, o fato é que quando se está tomado por inteiro de alegria, seja lá qual for o motivo dela, sentimos a sensação de culpa por estarmos naquele estado sozinho, enquanto as outras pessoas próximas a você, embora não estejam melancólicas, não estão sorridentes e não estão nem aí para a alegria que deixa seu perfume em todo o ambiente.

Não cheguei a muitas conclusões. Nem sei se minha intenção era esta. Só sei que sou diferente: Costumo alegrar-me com os alegres e me entristecer com os tristes. E nem preciso conhecê-los pessoalmente. Sem forçar a barra para que isso aconteça, lógico! Não sou imune a sentimentos alheios. Sem perceber, já estou contaminado e contagiando quem estiver por perto.

Sem perceber, deixo escapar entre uma gargalhada e um riso, algum indício exterior que demonstre que estou bastante feliz. Como não sei quando ela vai embora, já que a tristeza pode voltar a qualquer hora, aproveito o momento, sem muito me preocupar com o tempo que ele vai durar.





Escrito por Brasilino Júnnior nas datas 13/12/12 às 12:46 am e 06/02/13 às 09:15 am em São Luís-MA.
                                     

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

SOBRE OS TEUS E OS MEUS SONHOS


O ano começa e começamos a planejar várias coisas. Muitas delas que poderiam ter sido concretizadas no ano que acabou de acabar. O reinício da rotina, após trocas de presentes e mensagens calorosas, faz com esqueçamos rápido tudo aquilo que desejamos e almejamos. Todos aqueles que beijamos e abraçamos…

Tudo porque deixamos os nossos sonhos apenas na vontade que eles se realizem por conta própria, como num passe de mágica. Fazendo questão de esquecer que eles (os nossos sonhos) só chegam até nós, trazidos pelas nossas mãos suadas, quando vamos até onde eles estão. Eles nunca vem apenas pelo sopro do vento. Alguns sim, mas não ficarão por muito tempo.

É por isso que estou escrevendo sobre isso. Pois me lembrei agora de tantas felicitações de pessoas que só me aparecem entre o Natal e o 1º dia do mês de janeiro. E somem de mim durante todo o resto do ano.

 É, estou do lado daqueles que ouvem as palavras que não se praticam. Daquelas que enfeitam cartões e caixas de entrada apenas. Mas, estou também do lado dos que no dia-a-dia lutam para realizar os sonhos que moram na mente e que fazem bater mais forte o coração.
Dos mais simples, como estar todos os dias do ano com quem só surge eventualmente, aos mais nobres, como se você estivesse no mais alto nível de um pódio.

Falando nisso, vou correr atrás dos meus nobres e simples! E você? Vai continuar do mesmo lado dos braços cruzados?


Brasilino Júnnior, 28 de janeiro de 2013.
São Luís-MA, 05:23 PM 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

PACIÊNCIA COM MEUS PACIENTES


Ela me procurou esta manhã para conversar. Daquelas conversas que não se marcam hora, dia ou lugar. Eu a princípio, não entendi porque fui o escolhido, já que nos conhecemos tão pouco e há pouco tempo.
Mas, há quatro dias, após ouvir uma recitação minha de um poema de minha autoria sobre a amizade, eu lembro bem de suas palavras: ”-Era disso que eu precisava ouvir agora, obrigada!”  Eu fiquei feliz pela minha poesia tê-la consolado, mesmo não sabendo o que ela sentia naquele momento. Apesar da minha curiosidade, não quis perguntar qual dos 41 versos dialogou com ela... Talvez, ela resolveu me  procurar por causa disso. Ou então porque ela me disse outra vez, numa das nossas primeiras conversas: “-Parece que eu te contei todo o meu problema ou você me conhece há anos, porque você falou exatamente tudo o que eu estou sentindo agora!”
No nosso diálogo de hoje, eu tive que perguntar a razão do seu sofrimento, porque de cara percebi que era sério. Sua voz rouca estava diferente e seu olhar era de quem acabara de chorar. Mesmo não sabendo o motivo pelo qual ela mirou em mim para desabafar, eu acho que ela não se arrependeu de sua decisão.
Na verdade, eu não sei se sou a pessoa mais indicada para isso, mas procuro fazer bem o “meu  papel”. Que não é de usar citações extraídas de livros de autoajuda, mas sim de ser sincero comigo mesmo e com quem está do meu lado.
Não é a primeira vez que solicitam minha presença em situações como essa. Apesar de não ser um graduado em assuntos emocionais, tenho um “consultório” bem elogiado, pois os  “pacientes” sempre retornam.



Texto de Brasilino Júnnior, escrito em Pedreiras-MA, 28 de dezembro de 2012.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

TRICOLOR DESDE SEMPRE


Difícil para muitos apontar o início de uma paixão por um time de futebol, aquele exato instante em que se escolhe um para torcer. Normalmente, isso ocorre quando se é ainda criança, por influência de alguém mais velho, provavelmente o pai, que de cara dá uma camisa para o pequeno usar em sua companhia nas idas ao estádio. Independente de quando é plantada essa semente, se é ainda em fase de berço ou um pouco mais tarde, me desperta a atenção o que esse sentimento pelo futebol, iniciado lá na infância, é capaz de produzir em um ser humano nos anos seguintes. Por exemplo, eu não sei o que seria de mim, da minha vida sem o meu São Paulo Futebol Clube, fortemente conhecido como tricolor paulista.
Certamente, meus domingos e quartas, só pra citar dois dias da semana, não seriam como estes que tenho vivido, desde que optei por este simpaticíssimo time, que a cada temporada tem me dado mais e mais alegrias, e um orgulho inestimável de ter ido tão bem em uma escolha. Costumo dizer que de todas, esta está entre uma das melhores que fiz em toda minha vida. Não me arrependo nem um pouco, pelo contrário, amo esta camisa, pra dizer o mínimo, quer dizer, o máximo, pois o amor não se resume a coisas pequenas. Mas nunca imaginei que chegaria a esse ponto doentio, de entrega. Acredito até que qualquer pessoa, ao escolher seu time, nunca acha que irá tornar-se um autêntico torcedor, fanático.
Quando aos 6, 7 anos, olhei aquele escudo em uma revista, não titubeei, disse a mim mesmo: ”-É para este que irei torcer!” Mas claro que não foi uma escolha à primeira vista. Por ler todas as revistas Placar que compravam meus irmãos, eu já conhecia de cor todos os grandes clubes brasileiros, mas até ali não tinha um clube definido, apesar de já naquela época gostar muito de futebol. Meu pai é santista e minha mãe, flamenguista, mas nenhum deles me incentivou a torcer por seus respectivos times de coração, e nem quis acompanhá-los, algo muito comum de acontecer. Essa situação foi determinante para minha escolha, pois optei sozinho virar são-paulino.
Afinal, para quem é amante do futebol, é quase impossível não achar um, por mais modesto que seja, para vestir a camisa, acompanhar, vibrar. Gritar como nunca a cada título conquistado, contentar-se após cada vitória e decepcionar-se a cada pênalti não convertido, a cada três pontos perdidos. Só o futebol mesmo para unir sentimentos tão distintos: o sofrimento e a alegria, o riso e o choro. E basta a bola balançar a rede para uma coisa tornar-se outra instantaneamente. Para minha humilde opinião, quem não faz nada disso por seu clube de futebol, seja ele grande ou pequeno, não gosta realmente do assunto, mesmo que grite que sim. O mesmo se pode dizer do fulano que tem como resposta Brasil, quando alguém o pergunta para que time ele torce. Ou ainda, aquele que desconhece o nome do atual treinador, a escalação, ou, pelo menos o nome de cinco titulares do “seu” time.
  Não que eu seja contra quem não vive o futebol, mas se declarar um torcedor nessas condições, ou, por apenas comprar e vestir o seu uniforme oficial é incompreensível, frustrante, pelo menos para quem acompanha o futebol da forma como eu acompanho. Mas a paixão futebolística deve ter seus limites, pois tratando-se de um esporte, não é sempre que se pode sair de campo vitorioso, com a medalha no peito e o troféu na mão. Muitos ultrapassam essa barreira quando tais fatos citados acima não tornam-se realidade, e pior, quando tais fatos são uma constante, uma rotina na vida de um clube e seus torcedores.






Brasilino Júnnior, escrito dia 12 de maio de 2006 em Pedreiras-MA.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

TAINNÁDILLA



Mais um aniversário seu chegou. E quanto mais você amadurece, mais me sinto velho. Não que eu tenha medo da velhice. Apenas medo de chegar nela sem aproveitar datas e festas como a sua.
Mais um aniversário chega. E parece-me que só nestas horas, queremos falar realmente tudo o que sentimos pela “aniversariada”! E eu tô aqui procurando não as melhores do dicionário, aquelas rebuscadas, difíceis de engolir, de tão estranho que é o sabor delas que ficam na boca quando pronunciamos.
Busco hoje aquelas que sempre busquei. As que fazem parte do meu vocabulário e chegam direitinho, como eu quero, no coração do destinatário. O fato é que eu sou péssimo para falar, às vezes um simples “-Eu te amo!” não sai e aparento ser como a maioria dos mortais. Que escondem seus sentimentos bonitos por achar que sendo assim, serão tachados de ridículos.
Falando de bonito, lembrei-me agora do seu nome. Eu era criança, mas me recordo vagamente da minha mãe, criando ele num papel, para a primeira neta dela que acabava de vir ao mundo.
Poucas pessoas te chamam por Tainnádilla, incluindo eu. Deixando ele mais vivo num documento formal do que no ar. Mas Taty, como a maioria te chama, também resume bem quem é você. Embora você o escreva com T e H, eu prefiro ele natural. E foi com um  “Assinado Thaty Borges ” no final, que recebi uma mensagem sua há quatro anos atrás me chamando de tio. Acho que foi a única vez! Mas isso nunca me incomodou. O que me incomoda mesmo é deixar passar em branco um dia tão especial também pra mim. Até te falei uma vez que o dia 10 de dezembro deveria ser o Dia Nacional dos Tios, porque foi nesta data que me tornei um, com apenas sete anos de idade, embora eu só tenha descoberto isso anos após e sozinho, sem ninguém me explicar. E também para dar mais credibilidade a um tio, que nunca é lembrado em momento algum, como pai, mãe, irmão, primo, sogra. Acho que tenho feito minha parte durante estes anos. De uma forma ou de outra venho sempre te felicitando, não por obrigação familiar, mas do jeito que tem que ser mesmo, por amor. Afinal, estamos nesse mundo por causa dele, não é mesmo?
Poderia ficar aqui relembrando muitos momentos bons que tivemos, como quando eu era o responsável por te levar e buscar na escola todos os dias. Ou das vezes que te ensinava a andar de bicicleta. Ou também daquele dia que você arrancou lágrimas do meu rosto, quando te vi cantando na igreja pela primeira vez (com seu irmão na bateria).
Confesso que não sei qual será sua reação ao terminar de ler isso, mesmo te conhecendo bem. Peço desculpas se não gostar, achando que não “mandei bem.” Só queria te parabenizar de um jeito diferente. Queria fugir das palavras clichês que surgem em aniversários. E que costumamos ouvir de muitas pessoas.
Me despeço desejando estar aqui com você por muitos anos, em outros meses e outros dias. Não só no dez de dezembro. Se Deus quiser, teremos muitas datas destas para comemorar…

Autor: “Tio” Brasilino Júnnior, 10 de dezembro de 2012, escrito em quarenta minutos.