sábado, 15 de fevereiro de 2014

TINGA E O 12º ADVERSÁRIO

Até o último dia 12/02, Tinga não era tão conhecido pelo grande público que não acompanha os noticiários futebolísticos diariamente. Poderia ter sido apresentado a eles de uma forma mais bonita. Craque como ele é, sendo destaque de todos os times pelos quais passou, bem que podia ser com um gol em uma final de campeonato. Daqueles que se repetem exaustivamente nos programas esportivos, de tão lindo e emocionante. Ou, quem sabe, com um drible único e desconcertante no adversário. Capaz de fazer a imagem rodar o mundo e crianças de todos os continentes tentarem reproduzir igual nas peladas com os amigos.
   Mas não. Tinga ganhou notoriedade no Brasil e no mundo por um outro motivo. Bem menos desportivo e mais desumano. Feio e infelizmente, ainda, comum. Seja no futebol ou fora dele. Jogando no Peru, defendendo a camisa do atual campeão brasileiro Cruzeiro, o volante foi obrigado a ouvir da torcida local vozes que imitavam a sonoridade de um macaco, a cada vez que este mantinha a posse de bola. E pensar que ele tocou na bola por várias vezes… Sabe-se lá o que se passava na cabeça dele quando sentia que a bola chegaria novamente a seus pés… Particularmente, torci para que fizesse um gol e calasse, ao menos por instantes, a boca daqueles que se sentem superiores a outros pela tonalidade da pele.
 Há quase dez anos, o mesmo Tinga foi injustiçado ao ser expulso de campo por simular um pênalti. Lembro bem da sua fisionomia ao ver aquele cartão vermelho, era quase de choro! Não era para menos: seu time na época, o Internacional, ficaria com um homem a menos, sem o pênalti para cobrar e, posteriormente a isso, sem o título, devido a esse e outros tantos ” erros” de arbitragem.
   Desta vez, se quisesse, Tinga poderia sair de campo. Tinha razão se assim fizesse. Mas não fez isso. Permaneceu firme até o fim, honrando seu futebol de cabeça erguida. Ao final da partida, foi cercado por repórteres de várias nacionalidades. E em bom português, mostrou seriedade e maturidade ao tratar desse delicado tema que é o racismo, esse mal que continua vivo na sociedade, embora muitos afirmem que ele não existe mais. Televisionado ou visto a olho nu, machuca quem sente, independente se é famoso ou anônimo.
   Tem faltado justiça, por isso aconteceu com o Tinga o que vem acontecendo há décadas com outros jogadores, em outros times, em outros gramados…








Brasilino Júnnior, 15 de fevereiro de 2014, 12:52 am

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

BOLHAS


Levantei com dores horríveis nas pernas neste sábado. Aliás, há algumas semanas tem sido assim. Um dia pior que o outro. Dói durante o meu andar, dói durante o meu parar, antes de deitar e, como agora, ao acordar. Não é exclusivo eu senti-las. Já tive isso quando criança e as dores são realmente as mesmas. É tão íntima em mim que parece que minha infância foi ano passado.
Fiquei inútil por um bom tempo naquela fase: era obrigado a usar calça o dia inteiro para a pele não ficar exposta ao sol e aos olhos alheios, que me enchiam de perguntas para as quais eu não sabia as respostas. Mas, o mais difícil mesmo foi ficar de fora do futebol por sei lá quanto tempo. Improvisava um banco de reservas na calçada e ficava sentado nele assistindo a todas as partidas, torcendo e comentando, com muita vontade de estar ali dentro. Às vezes era tão chato somente ver que eu deixava de lado os lances e me deitava no banco, olhando para o alto, para o céu! Aquelas cicatrizes permaneceram por anos e nem sei se todas realmente foram embora.
   Voltando ao presente, fiz tudo diferente: Demorei a me medicar e tomar outros cuidados, por achar que seria algo passageiro. E o pior, joguei futebol durante todos esses dias, o que agravou a situação em minhas pernas, pois além de correr intensamente nos jogos, vez ou outra caia ou recebia pancadas nas canelas. Amanhecia no dia seguinte todo feliz pelos gols e pelo bom futebol com os caras, porém com dificuldades após o banho para lidar com as dores.
   Meu descuido era tanto que nem percebi que o meu tornozelo direito (o osso) sumiu com o inchaço da pele. Mais parecia um pé daqueles pinguços de carteirinha. Foi a partir daí que a preocupação bateu e eu fiquei realmente triste em me ver naquele estado. Ficou tão feio que não suportava olhar para ele por muito tempo. Batia um desespero por um gelo para pôr em cima. Mas na falta, acabei ficando de molho na cama, repousando o máximo possível. Era um bom momento para me distrair olhando para o céu. Mas no alto só havia telhas.




São Luís, 08/08/2014

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

UMA ENCICLOPÉDIA CHAMADA NILTON SANTOS

   Como cresci lendo a Revista Placar, acabei me familiarizando com os grandes nomes e imagens dos jogadores de futebol do Brasil e do mundo. Tantos os atuais quanto os que já haviam encerrado as suas brilhantes carreiras. Me fascinava ler as histórias de vida de cada cara, que quando se vestiam de craques nos gramados, eram aclamados e respeitados por torcedores, inclusive os rivais.
   Muitos deles, que fizeram parte das seleções campeãs de 58, 62 e 70, recebiam até apelidos por seus feitos. E isso me chamava a atenção, pois estes apelidos me lembravam títulos de filmes, livros...
Amarildo era O Possesso. Pelé, O Rei do Futebol. Garrincha, O Anjo de Pernas Tortas ou A Alegria do Povo. Jairzinho, O Furacão da Copa (de 70). Zico, O Galinho de Quintino. E Nilton Santos, A Enciclopédia do Futebol. Este, era um dos que me chamavam mais a atenção. Como um lateral-esquerdo poderia receber uma perífrase tão interessante? Anos depois, quando passei a ler mais sobre ele em particular e a assistir suas entrevistas é que fui entender o porquê da "Enciclopédia". Era por causa da sua inteligência que constantemente era usada nas jogadas, muitas vezes, para desconsertar o adversário.
   Apaixonado pelo carioca Botafogo, time da Estrela Solitária, a ponto de dedicar todo o seu talento por dezessete anos, demonstrava seu amor em campo e em palavras: " Assinei três contratos em branco, no auge da minha carreira. Era uma prova de amor. Faria tudo de novo. Tudo o que sou devo ao Botafogo. Só vesti duas camisas na vida: a do Botafogo e da Seleção Brasileira." 
   Das histórias de sua época de jogador, as mais marcantes, pra mim, são a da sua influência na contratação de Garrincha e daquela lance antológico, em que ele deu dois passos para fora da área, evitando o juiz de marcar um pênalti contra a Espanha.
  Esse tipo de amor, raríssimo em dias atuais, que se recusa a vestir outro uniforme por uns trocados a mais, vai fazer falta daqui pra diante com sua morte.





"Tu, em campo, 
parecias tantos,
e no entanto,
que encanto! 
Eras um só,
Nilton Santos."

(Armando Nogueira)



Brasilino Júnnior, 28 de novembro de 2013.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

NÃO PERGUNTE A MINHA IDADE

Aprendi que não existe crianças, adolescentes, adultos e idosos. Não há idade. Não há novo. Não há velho. Existem idades, mas a fronteira que os outros dão a cada uma delas não, necessariamente, precisa ser a mesma que você dá a sua.

A biologia da vida nem sempre respeita a cronologia do tempo. Ou vice-versa. O novo nasce "velho" e o velho ainda é "novo". Na forma e no conteúdo. No corpo e na alma.

Para quê contar a idade, se você sonha com a eternidade? Para quê contar aos outros sua idade, se o que vai contar é a sua (falta de ) maturidade?

A quantidade de aniversários comemorados nem sempre acompanha os nossos passos. Para alguns, os passos estão bem adiantados. Para muitos, eles ainda estão atrasados. Depende do que cada um recebe da vida.





Brasilino Júnnior, 26 de novembro de 2013.





"É melhor ser velho com cara de novo do que novo com cara de velho." (Brasilino Júnnior, na infância)

"Viva a sua vida e esqueça a sua idade." (Francis Bering)

"Números são apenas números! Só pergunto a idade pra saber o tamanho da mente." (Felipe Ferreira)

"Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem." (Sandy Leah)

"A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades." (Nelson Rodrigues)

"Eu sou aquela pessoa que não aparenta a idade que tem. Nunca me incomodei, as outras pessoas sim." (Brasilino Júnnior em Eu Sou Aquela Pessoa, 24/11/2009)

"Idade é para carteira de identidade." (Brasilino Júnnior, 11/05/2010)

"Velho eu? A idade é só um número!" (Brasilino Júnnior, 2012)

"Idade nem sempre denota maturidade." (Brasilino Júnnior, 26/07/2013)

"Hoje já não faço anos. 
  Duro.
  Somam-se-me-dias.
  Serei velho quando o for.
  Mais nada."

  (Álvaro de Campos)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MEMÓRIAS DE UMA MEMÓRIA SOLITÁRIA

Hoje acordei com uma notícia boa: Solitude, um texto de minha autoria teve, exatamente seis meses depois de escrito, 46 reblogs no Tumblr da Jéssica Zampieri, do estado de São Paulo (http://trechosdaliteratura.tumblr.com/). É um dos meus preferidos e lembro como e quando o escrevi, naquele fim-de-semana solar e solitário. Gosto dele porque tive a felicidade de escolher as palavras certas para expressar no papel aquilo que passeava em meus pensamentos. Talvez tenha sido isso, essa precisão textual, que tenha agradado a estas 46 pessoas, pois ele não é um “texto coletivo”, muito pelo inverso, é bem pessoal até! E pensar que ele quase foi para o ralo…
   Com a preguiça de buscar um papel e uma caneta, escrevi de onde eu estava, num quase descarregado celular. A bateria, já bem comprometida, não suportou as primeiras palavras e deu um “até mais”. Eu, sem mais, corri à procura da primeira folha virgem que encontrei na mesa e consegui passar para o papel em branco exatamente as mesmas palavras, pois elas ainda estavam vivas em mim.
    Solitude fala de algumas mudanças (algumas delas contra a minha vontade) que sofri desde a infância até aqui, das mudanças tecnológicas que interferiram nos meios de comunicação e de como a maioria das pessoas não aprenderam ainda a fazer o bom uso disso.


Brasilino Júnnior, 18 11 13.

domingo, 20 de outubro de 2013

CONVERSA LITERÁRIA DE UM POETA (BRASILINO JÚNNIOR)

                                                           
                                                                                                             
                                                                                                              
1.INÍCIO
Acho que a poesia foi o que de melhor me aconteceu naquela fase e muito me estranha que até hoje ela esteja comigo depois de dez anos. Na verdade, eu queria apenas pôr no papel, muitas vezes até em forma de desabafo, aquilo que eu estava pensando e vivendo naquele momento. Depois disso, eu pretendia seguir minha vida como qualquer pessoa que buscava sua independência pessoal e profissional após o ensino médio. Não acreditava mesmo que aquele hobby se tornaria algo fundamental na minha vida.
2.ESCREVER POESIAS
Acredito que qualquer pessoa seja capaz de criar uma poesia, mas acho que quando se tem um dom, as coisas ficam bem mais fáceis, mesmo que este se desenvolva na fase adulta, que foi o meu caso. Com 13 anos eu fazia músicas (letra e melodia) e nessa época eu pedia a Deus que ele me desse a capacidade de criar uma somente. Eu tinha a ingenuidade de pensar que este universo da arte não era para mim. Como eu me contentava com pouco, acho que por isso Ele me deu o talento para eu ir mais além e hoje eu vejo isso como uma missão.
3.MODO DE CRIAÇÃO
Não tenho método. Não tenho horário. Nasce tudo naturalmente, bem espontâneo. Gostaria muito de escrever quando eu quisesse e para quem eu quisesse, mas sou guiado pela inspiração. E na maioria das vezes sou pego de surpresa: às vezes quase dormindo, caminhando pela rua, andando de bicicleta, sem um papel ou caneta próximos. Às vezes penso que tenho que andar sempre com um bloquinho no bolso, mas acho que isso vai me deixar mais automático, sempre esperando por aquilo que talvez não venha. Mas tem funcionado assim desde sempre, melhor deixar como está. Eu memorizo os versos até chegar em casa, se for preciso. Minha fórmula é não ter fórmulas.
4.TEMA PREFERIDO
Eu sinto que as pessoas, de uma forma geral, tem uma enorme preocupação em buscar rótulos nas coisas, nas pessoas, na arte… Se alguém usa um determinado tipo de roupa ou ouve um determinado estilo musical, as pessoas apontam quando elas mudam isso, de alguma forma, num belo dia. Essa busca de uma identidade é até válida em alguns pontos, mas acredito que ninguém deve se limitar e ficar preso a algo a vida inteira, quando elas podem experimentar outras possibilidades. No meu caso, já me perguntaram muitas vezes qual é o tema que eu mais exploro. Quando digo que não tenho, alguns até insistem afirmando que todo poeta tem sempre algum que ele goste mais. Alguns temas meus são bem específicos: chuva, sol, saudade, amizade, Deus, felicidade, solidão… Mas eu percebo que é uma minoria, da mesma forma que percebo que em um só poema estão vários temas ali. Um bom exemplo é o sol, que se faz presente em muitos versos das minhas poesias, ora como o centro da conversa, ora como parte do cenário apenas. Mas pondo um olhar mais clínico em toda a obra, eu acho que o meu forte é a crítica social (normal para quem ouve rock, reggae e rap), a coisa de mudar o mundo, melhorar a nossa realidade. Ou, fazer com as pessoas reflitam em algo que faz parte da vida delas também.
5.POESIA PREFERIDA
Essa é uma questão que não há resposta. Ainda mais eu, que não me limito a somente um tema. Se já é complicado escolher a minha preferida de cada tema, imagina escolher a preferida de todas. E seria até injustiça da minha parte fazer essa escolha, até porque todas elas, de alguma forma, tem a sua importância para mim.
6.INSPIRAÇÃO
Acho a inspiração primordial, não só na poesia, mas em qualquer outra arte. Mas antes dela tem que vir o sentimento. A poesia não nasce quando você a escreve, ela nasce a partir do momento em que ela passa a viver dentro de você. Aí, pode ser qualquer coisa: amor, ódio, alegria, tristeza… Quando a caneta resolve encontrar o papel, na verdade, ela simplesmente transfere o que estava criando raízes no coração. Como uma criança, ela vem ao mundo no tempo certo. Nem antes, nem depois.
7.RIMAS
No início, eu achava que poema sem rimas não tinha muito valor. Hoje, acho isso uma bobagem, tanto que procuro escrevê-los com poucas rimas, mas não consigo. Antes de terminar o final de um verso, já estou buscando na mente uma outra que rime com aquele. Mas, a maioria das minhas rimas vem naturalmente mesmo. Eu não faço muito esforço para que isso ocorra.
8.MUSA INSPIRADORA
Poeta que se preze deve ter, ao menos, uma. Mesmo que ela nem saiba da sua existência. Mesmo que ela não leia poesias. Não sei para quantas já escrevi, embora não tenha sido muitas: da minha mãe à minha sobrinha, de meninas que conheci pessoalmente a outras que não tive oportunidade de conhecer. Depois de tantos anos, cheguei a conclusão de que muitas são inspirações, poucas são musas.
 No entanto, é sempre bom escrever algo sobre as mulheres, mesmo que isso não agrade a algumas. Apesar de um número considerável no currículo, escrever poemas sobre a beleza feminina é um desafio e tanto, pois ao mesmo tempo em que cada uma delas tem uma característica própria, todas têm algo em comum. E é aí que entra o desafio de não se repetir nas palavras. Quase todas as “minhas” musas têm o nome como título do poema. Algumas não tive a chance de mostrar ou sequer falar da existência, mas tudo bem...
 9.POETA PREFERIDO
Eu frustro muita gente quando me perguntam qual é o meu poeta preferido e eu não tenho resposta. Eu comecei a escrever mesmo impulsionado pelos caras letristas do rock nacional. Vem daí minha influência, embora eu não queira ser comparado a nenhum deles, porque cada um tem seu modo de se comunicar e eu nunca tive a pretensão de imitar o estilo de alguém, só queria também ter o direito de me expressar com a caneta e o papel, já que eu não sei cantar e bem menos tocar algum instrumento musical. Essa foi a maior lição que aprendi no rock’and ‘roll. Mas fora estes, eu gosto de muitas coisas que li avulsamente do Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana e Clarice Lispector, pra citar alguns. Há uns dois anos conheci a Clara Mello e sou apaixonado pelo jeito dela de escrever. A poesia Clara que escrevi é uma singela homenagem a ela.
10.PARCERIAS
Não sei se antes de mim, alguém já escreveu poemas fazendo parcerias com outras pessoas. Eu, pelo menos, nunca ouvi falar. Mas, o fato é que já escrevi com três meninas. A primeira parceria rolou casualmente em junho de 2012 com a Angelina Fernandes. Era uma mensagem de aniversário para uma amiga em comum, chamada Rosinete Cristina. Eu achei bonita e quando li aquilo me veio no mesmo instante idéias de continuação. Eu escrevi e então perguntei a ela se eu poderia fazer uma poesia a partir daquelas palavras. Depois que ela me autorizou, eu confessei que já estava pronta há muito tempo e deixei pra ela a responsabilidade de dar o título, que, inteligentemente, ela chamou de Céu Azul. A segunda parceria foi uma coisa pensada e foi com a mesma Rosinete. Nós já tínhamos combinado de tentar criar algo juntos antes dela chegar aos 18 anos (porque quando a Angelina nos apresentou ela tinha 16). O interessante é que a poesia que a gente criou é bem diferente de tudo que eu já fiz, é bem fictícia e fala de uma menina que sofre por amor em silêncio e a história não tem um final feliz. Eu comecei os primeiros versos, daí ela fez o meio e eu finalizei. O título, que ela preferiu que eu escolhesse, se chama Melancólica. Antes da gente pensar nisso, eu a convidei para fazer o prefácio do meu livro. Já a terceira parceria é com uma escritora de mão cheia, não sei a idade dela, mas ela é bem mais nova que a Rosinete quando nos conhecemos. Ela se chama Evelin J. Mendes e apesar da pouca idade, escreve como gente grande. Um belo dia (ou noite) ela perguntou se eu gostaria de ler algumas frases dela. Ela me mostrou não frases, mas uma espécie de poema inacabado de apenas uma estrofe de três versos. Daí, eu li aquilo e achei demais, porque até então só conhecia os textos dela. No mesmo dia eu dei mais um verso para aquela estrofe e fiz mais uma, também de quatro versos, também sem ela saber. Dias depois, eu falei que havia feito algo com as ”frases” sem a permissão dela e não sabia qual seria a sua reação. Antes de mostrar pra ela, pedi desculpas pela ousadia, mas ela gostou muito, achou perfeito. Por ela, a obra acabaria ali, mas eu prefiro que a gente dê ao menos mais uma estrofe antes de criar o título. Fora estas parcerias citadas acima, já combinei duas com um rapper chamado Front MC. Uma letra minha eu ofereci a ele e a gente está à procura de uma menina que cante, já que eu escrevi Se Não For Por Amor para uma voz feminina. Ele ainda vai fazer a parte dele nessa composição e a minha parte vai virar “refrões que não se repetem”, acho que o Rap é um dos estilos musicais que mais usam esse tipo de recurso. A segunda parceria partiu dele quando me convidou pra eu recitar uma poesia minha (Profissão: Poeta) dentro de alguma faixa do primeiro trabalho dele. Vou me esforçar pra que essa minha participação saia da melhor forma possível. Com exceção das duas primeiras, acredito que com o tempo, a gente escreva outras coisas, assim espero.
11.DIVULGAÇÃO
Eu mesmo me divulgo. Quer dizer, as minhas poesias. E pra quem não é conhecido, eu sou até bem conhecido. Ando sempre com alguns escritos na mochila e mostro ou leio para as pessoas na base da cara-de-pau. Com isso, até conheci um artista plástico que se ofereceu pra criar a capa do meu primeiro livro, já li uma poesia numa rádio, numa igreja no final da missa na véspera de Natal, fui chamado pra participar pela poetisa Sandra Regina de São Paulo a fazer parte de um grupo de compositores desconhecidos do grande público...  E também fui convidado de uma poetisa para me apresentar na Feira do Livro de São Luís. Mas, como ela sugeriu que eu declamasse ao invés de ler, eu acabei não topando. Primeiro porque não gosto e nem sei declamar teatralmente e segundo porque o meu poema que ela escolheu era bem ruim de decorar e declamar, porque tinha que subir e descer o tom da voz a cada verso e fora que ele é bem triste também, já que trata de racismo. Era muita coisa para eu aprender em poucos dias. Da mesma forma que foi um passo maduro eu ser convidado, também foi um passo maduro eu não ter ido, porque eu sei dos meus limites e não gostaria de apresentar um trabalho só por vaidade. Apesar da maioria não ter entendido a minha postura na época, eu fiz o que era certo. Mas, eu fiquei muito honrado pelo convite.
12.VERSOS NOS OUVIDOS
Eu criei esse projeto em 2011, mas nem tinha nome e ele nasceu sem essa pretensão de ser o que ele se tornou hoje. Oficialmente, já teve quatro edições (Dezembro-2012, homenageando o Natal; Março-2013, homenageando o Dia Nacional da Poesia; Julho de 2013- homenageando o Dia Mundial da Amizade e a última encerrou ontem, que homenageou o Dia do Poeta). O Versos Nos Ouvidos consiste basicamente em eu ligar para o maior número possível de pessoas dentro de um prazo e ler pra elas uma poesia escolhida especialmente para aquele evento. Apesar de não ser um leitor nato, a maioria dos ouvintes gostam da idéia e eu recebo deles muitos elogios, o que dá um impulso pra eu continuar com isso, talvez incluindo poemas de poetas já consagrados. Não tenho o número exato de ouvintes nesses dois anos, porque nunca parei pra contar. Mas a reação de cada ouvinte em particular não tem preço. Merecia um capítulo à parte só pra contar essas histórias. A meta daqui pra diante é atingir pessoas de estados que eu ainda não cheguei. 
13.FÃS
Não gosto muito do termo fã, prefiro chamá-los de leitores. Soa engraçado até, já que ainda não tenho nenhum livro publicado. Mas algumas pessoas já me confessaram que são meus fãs, porque se identificam, gostam do que eu escrevo e de como eu escrevo. O interessante é que alguns nunca me viram pessoalmente. Mas os telefones e as redes sociais estão aí pra isso: para encurtar as distâncias. E basicamente, todos estes “leitores” que conheci através da minha arte se tornaram amigos, próximos de mim. Alguns até me mostram algo que escrevem pra saber o que eu acho.
14.ENTREVISTA
Os meus amigos e as pessoas que eu conheci através da minha poesia me perguntam tantas coisas que eu já me sinto um entrevistado. Mas, entrevista formal mesmo só tive uma, ano passado para um blog da então adolescente Amanda Caroline, do Rio de Janeiro. Até hoje eu agradeço a ela por essa oportunidade que ela me deu, pois muita gente pôde conhecer um pouco da minha trajetória e só chegaram até a mim críticas boas. Foi tudo muito rápido: ela prometeu que ia me entrevistar numa quarta e dois dias depois ela chegou com as perguntas, sem eu saber. E na mesma noite ela publicou. Fiquei muito surpreso porque a tal entrevista pra mim, ia rolar, sei lá, quando eu tivesse um livro publicado. E, no final de tudo, foi bom pra mim e para o blog dela. Que por sinal, é uma honra estar ali, primeiro porque eu já era fã dele bem antes da entrevista e segundo porque a poesia não é o que ela dá mais destaque em suas resenhas. E mesmo assim, ela fez boas perguntas. Porque eu não sabia nada do que ela iria me perguntar.
15.LIVRO
Ainda não tenho livro publicado. Tenho material para, no mínimo, uns três livros. Mas, ao menos um de poemas eu quero ter. Embora eu escreva muito, não quer dizer que todos são bons e que sejam dignos de estarem presentes ali, em alguma página.
16.EDITORAS
Sinceramente, eu não tenho a menor vontade de procurar por uma. Tenho receio de ficar refém de algumas pessoas que só visam lucros e perdem o foco principal, que é a arte. Temo assinar algum papel que autorize alguém de terninho a mandar posteriormente naquele trabalho que eu fiz sozinho. Por outro lado, não escrevo de um jeito acadêmico, clássico. Acho que não agradaria a nenhuma editora. Também não quero um livro meu com uma série de nomes de lojas e empresários na parte dos agradecimentos. Nada contra quem faz esse tipo de parceria, mas eu futuramente, não gostaria de ver um livro meu mais parecido com um abadá. Acho que bancar a própria arte tem mais a ver com aquilo que eu acredito enquanto artista. É um caminho complicado, é verdade, mas lá na frente vai valer a pena ter derramado tanto suor.
17.INTELECTUALIDADE
Eu tenho facilidade em escrever palavras que eu não falo. E dificuldade em falar palavras que eu escrevo. Não sou um intelectual, do tipo burguês que “fala difícil e escreve difícil”. Eu gosto de escrever simples, embora a intelectualidade também se encontra na simplicidade. Procuro escrever de um jeito que qualquer pessoa entenda de imediato, sem precisar recorrer a um dicionário. Eu faço a poesia que eu compraria. A palavra poeta tem um peso enorme e acho que isso faz com as pessoas me vejam como alguém superior a elas. Eu sou uma pessoa comum e não me considero melhor que ninguém. Apenas escrevo, uma atividade que muita gente faz nesse mundo. Acho que o fato de escrever poesias me faz mais humano até, pois todos os sentimentos passam pela minha caneta.
18.HISTÓRIAS DE POESIAS
Eu tenho um blog com este nome onde publico histórias de poesias das minhas poesias, da motivação inicial que nasceu em mim para que eu pudesse escrevê-las. Eu tenho dificuldade de explicar porque escrevi tal coisa. Em algumas, eu mesmo demoro pra me entender porque eu escrevi aquilo. Na verdade, nem sei se devo ficar explicando a todo momento o porquê de cada vírgula. Mas, de qualquer forma, me serve como um exercício mental escrever cada uma dessas histórias e ficar relendo-as depois de algum tempo. Convidei algumas pessoas que fazem parte dessa minha vida literária pra participarem dele. Como a maioria me abandonou quando eu tava prestes a colocá-lo no ar, eu resolvi seguir sozinho com ele. Costumo dizer que ele é o blog mais poético da internet: Tem céu azul, é florido como o jardim e inocente como um sorriso de uma criança.Eu sei que ele não é, mas tento guiá-lo sempre nessa linha.  Ele tem pouca divulgação e acompanhamento, mas para a minha surpresa, a história sobre a poesia Brenda tem mais de 300 visualizações. Há também nele um texto-poético que a Angelina escreveu especialmente pra mim e duas entrevistas: uma com a minha mãe Maria Augusta e outra com a Cristiana Pereira, que gentilmente aceitaram o convite para serem entrevistadas.
19.10 ANOS
Passaram-se muito rápidos estes anos. Parece que foi ontem que tudo começou. Aprendi muito nessa década e as mudanças vieram à medida que eu escrevia. Como eu escrevia muito no início, a ponto de encher três cadernos pequenos, a maturidade no texto veio cedo. Na época, não achava nada demais, mas hoje quando leio alguns versos de 2004, por exemplo, vejo coisas geniais ali, pra quem tinha visto e vivido poucas coisas da vida. Sinto saudades dos primeiros anos, onde eu escrevia sem a preocupação do que os outros iam pensar ou dizer, embora eu não tenha abandonado esta postura nos dias atuais.
20.DIA NACIONAL DA POESIA
Descobri que nasci nesse dia arrumando os meus cartões telefônicos que colecionava. Lendo um deles, vi que o Dia Nacional da Poesia tinha sido escolhido para este dia porque foi nesta data que o poeta Castro Alves nasceu. Mais interessante nisso é que ele, como baiano, também é nordestino e lutava com sua poesia em favor dos negros escravizados. Hoje sou mais empolgado do que na época desta descoberta. É uma coincidência incrível. No meu último aniversário, foi o primeiro que as pessoas fizeram essa associação. Acho que umas cinco pessoas me lembraram esse fato, que eu não nasci no dia certo, que eu sou poeta e poesia... De fato, tem um sabor especial para um poeta nascer no dia em que se celebra a Poesia em seu país!
MENSAGEM PARA OS NOVOS POETAS
Eu não me acho a pessoa mais certa para aconselhar quem tá iniciando, eu me vejo como um aprendiz até hoje. Mas eu digo que se você agrada a si próprio com o que você cria e se sente bem, acho que isso vai chegar também nas demais pessoas da mesma forma. Principalmente quando há ali nos versos muita verdade e sinceridade.





(Brasilino Júnnior)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

ENTRE NÓS



Depois que leu Final De Um Poema, uma leitora e seguidora deste modesto blog, me escreveu isso: “Cara, sem palavras, parece que foi escrito pra mim, é exatamente o que se passa na minha vida neste exato momento... Simplesmente perfeito!!!! “(19 09 13)
Cinco dias depois ela me falou que havia usado uma frase minha e escrito algo e me mandou perguntando se tava bom. Eu gostei da referência e do texto, tanto que estou postando hoje aqui no DLP...



"Algumas pessoas são como drogas. No início a sensação é boa e te faz se sentir bem. Te faz ficar viciado e você percebe que não pode mais viver sem, então começa a te fazer mal e você sabe que precisa se livrar disso, mas é um processo doloroso e a recuperação leva tempo. Mas depois de superado o vício você percebe que é possível continuar sem a droga. Mas nunca esquece a sensação que ela te traz..."
Aline Cristine