sexta-feira, 2 de novembro de 2018

UMA PÁGINA PARA MANUELA



Hoje é, ao menos para mim, um feriado estranho, triste. Não é daqueles que a gente fica feliz por ficar em casa por não ter que trabalhar ou estudar. Por ser Dia de Finados, é inevitável não se lembrar de amigos, parentes ou, até mesmo, de artistas que admiramos que já se foram. A gente sempre lida com essas lembranças no decorrer do ano, mas nesse 02 de novembro, estas mesmas lembranças chegam até nós com mais intensidade e força. E tristeza. E comigo não é diferente. Bate uma saudade repleta de lembranças dos momentos que tivemos e dos que poderíamos ter.
Já perdi gente que foi vítima da violência, do suicídio (uma por afogamento, outro por enforcamento), do câncer... A primeira vez que senti este baque, este sentimento ruim que é perder alguém pra morte foi muito cedo, já na infância. Eu só tinha 12 anos de vida. A primeira perda de outras que viriam.
Certamente, ela está num lugar melhor que esse. Nunca a esqueci. Lembro da nossa última conversa no portão da minha casa. Ela passou a mão no meu queixo antes de ir embora, ao mesmo tempo em que dizia que na volta de um aniversário continuaríamos a conversa. Mas ela nunca mais voltou...
Lembro com carinho e saudade das nossas idas e vindas ao colégio com o meu casal de irmãos mais novos que eu. A gente tava sempre junto e ela vivia lá em casa, na calçada da minha casa brincando com a gente. Lembro-me também da risada inconfundível dela e do modo de rir de tudo que achava engraçado. Como ela ria de quase tudo e tudo pra ela era engraçado, ela estava sempre gargalhando, às vezes alto, sem a menor cerimônia. Não podia ver alguém comendo algo que pedia um pedaço, o que fez um menino comparar ela com a Magali, da Turma da Mônica. Uma noite estávamos sentados na escada que tinha na calçada da minha casa. Eu e ela mais embaixo e o meu casal de irmãos, mais em cima. Do nada, enquanto conversávamos, percebi uma irritação incontrolável no meu corpo, na parte da cintura pra baixo. Eu sentei onde tinha umas formigas e elas entraram pela minha roupa e começaram a me picar. Várias ao mesmo tempo. Eu, desesperado, comecei a fazer aquilo que qualquer um faria: Levantar e tirar de forma brusca do jeito que dava. Não deu outra: Manuela começou a rir alto da cena engraçada. Rir, não. Gargalhar alto. Eu, claro, fiquei morrendo de vergonha por protagonizar essa cena na frente de uma menina. Mas, depois de uns anos pensava nessa cena e começava a rir por dentro, com a gargalhada dela no meu pensamento.
Quase dois anos depois de sua morte, escrevi meu primeiro poema que falava dessa perda que nós da Rua Dois tivemos. Como nessa época eu só fazia músicas, não gostei muito e nem sei se aquilo era mesmo um poema. Escrever poemas pra mim era algo inalcançável, praticamente impossível. Só tinha uma cópia e acho difícil encontrar ele em algum lugar, mas lembro vagamente de alguns versos e o título era O Pesadelo Que O Destino Nos Deu. Realmente. A morte é um pesadelo que a gente tem acordado quando perdemos alguém que amamos.
Depois que terminei o Ensino Médio e comecei realmente a escrever poemas com cara de poemas, “Manuela” foi um dos primeiros que escrevi. Eu voltei no tempo e escrevi aqueles versos como se eu tivesse 12 anos e tivesse acabado de perdê-la. Ele tem um ar de ingenuidade que me encanta. Mostrei pra uma das minhas irmãs e lembro-me dela boquiaberta lendo no meu caderno várias vezes. Ela acabava de ler e lia de novo. Achei que ela não ia devolver meu caderno nunca. Ali eu percebi que ela gostou do poema e se sentiu tocada. Que eu me lembre ela só devolveu e não me disse nada. Mas, se disse, foi algo do tipo: “Gostei.” ou “Tá bonito.” Mas aquela cara de encantamento ainda permaneceu nela, mesmo depois da devolução do meu caderno. Depois que escrevi o poema que tem o nome dela como título e que antes tinha o nome “Não Sei.”, último verso do poema, escrevi mais um, um tempo depois intitulado “Brincadeira Interrompida”, onde em algum momento da narrativa fala dessa característica dela de estar sempre gargalhando e das nossas brincadeiras, como a de jogar bola na calçada da minha casa e da vizinha que mora ao lado esquerdo de mim. Éramos só nós dois e uma bola.Como futebol não era bem o seu forte, a brincadeira
consistia em apenas ela tentar tirar a bola dos meus pés. Eu ficava driblando ela da ponta de uma calçada pra outra.
 Manuela nasceu no dia 10 de outubro, mesmo dia que meu irmão mais novo nasceu e era apenas um ano mais nova que eu. Dois dias depois era o Dia das Crianças. Foi estranho ela não tá junto com a gente naquela dia, que era o nosso dia. Foi num fim de semana que ela morreu afogada. No primeiro dia de aula depois dessa tragédia, eu tava sem o menor clima de ir pro colégio, mas fui. Dali em diante não teria mais sua companhia. Eu pedi pra direção cancelar as aulas. Eles concordaram e uma galera, muitos que nem a conheciam, foram até a casa dela. Era um velório sem a presença dela, já que o seu corpo ainda não tinha sido encontrado. Alguns estavam fazendo pouco caso da dor de quem a conhecia e não estavam nem aí. Estavam mais preocupados em colher fruta do pé da casa dela. Ver aquela cena me deu raiva. Quanta insensibilidade. Durante uma semana, eu acho, tinha reza na casa dela com todos nós, seus amigos. Era difícil, mas eu queria pôr na minha cabeça a esperança de saber que ela estava viva em algum lugar. Numa dessas noites que tinha reza, chegou uma parente dela de longe, de outra cidade e ao ver a mãe de Manuela, elas se abraçaram e começaram a chorar juntas. Ao ver aquela cena triste na minha frente, meu coração se partiu e eu não consegui não chorar.
Depois de um tempo, após eu escrever o poema que leva seu nome como título, eu tive um sonho com ela. O único. Eu aceitei esse sonho como uma resposta dela pro meu poema, que em alguns versos se perguntava se ela estaria bem ou se ela leu o meu poema.  No sonho ela não dizia nada. Só sorria pra mim. Como na única foto que tenho dela. Era um lugar alegre, cheio de crianças correndo, brincando. Foi um sonho rápido. Acordei feliz por vê-la feliz, mas ao mesmo tempo achei aquilo tudo meio surreal. Ela bem que podia voltar em outros sonhos.


Brasilino Júnnior, 02 de novembro de 2018




“Guardo um retrato teu
E a saudade mais bonita.”

(Legião Urbana)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

QUASE CHOREI

  Olhando umas fotos minhas, encontrei uma de quando eu era apenas um bebê. Fiquei por minutos olhando pra mim. E eu quase chorei de emoção. Não me pergunte o porquê, porque eu não saberia responder. Pelo menos, não agora.

Já olhei essa fotografia várias vezes e nunca me senti como hoje! Ela faz parte do álbum da família que minha mãe conserva. Acho que foi até ela que fez o papel de fotógrafa.

  Um dia passando pela sala, me deparei com ela dando bobeira. Achei estranho vê-la avulsa e distante das demais. Mas, ao invés de levá-la de volta ao seu lugar, eu a peguei e guardei nas minhas coisas. Isso deve ter sido há seis anos.

  Eu era um bebê bonito, bem diferente do que sou hoje. Aquela criancinha não lembra nada do que eu me tornei. Eu olho e reolho aquele retrato e procuro me achar em alguma coisa, mas não vejo nada que me retrata. Eu era bonito como todos os bebês de “cara de joelho” são. Ponto. Careca, bochechudo… Não, retiro o que eu escrevi: acabei de encontrar algo ali que eu ainda tenho: a tonalidade preta da cor dos meus olhos!

  Na época que foi tirada, eu tinha 1 ano e 7 meses de vida. Era outubro. Como agora. Mas eu era criança e hoje eu não sou mais. Eu precisava dos outros para andar e hoje eu ando sozinho, sem o auxílio dos demais. Não sabia falar e hoje eu falo até mais do que eu deveria, admito. Eu tinha poucos fios na cabeça e hoje eu tenho tantos que uso tranças.

  O local da foto escolhido foi o quintal de casa. Como a minha infância, ele não existe mais. E das lembranças boas que guardo no coração, o quintal da minha casa está entre os primeiros lugares das minhas recordações infantis. Na foto, as plantas completam o cenário do lugar.

 Colocaram-me numa cadeira de ferro meio branca e meio enferrujada e estou sentado em cima de um tecido branco, que poderia ser um lençol pequeno. Até por conta da pouca idade, estou levemente torto. A cabeça teima em ir pra direita. Devem ter me ajeitado várias vezes pra eu sair de cabeça erguida, mas não teve jeito. E o meu olhar? Ao mesmo tempo em que eu olhava pra frente eu não olhava para as lentes fotográficas! Devem ter gritado pelo meu nome várias vezes pra eu olhar pra frente, mas não teve jeito.

  Uma coisa que eu acho estilosa são as minhas meias: eram cinzas e tinham listras negras e brancas. Mas o meu macacão eu odiei, quer dizer, eu odeio. Nada a ver me vestirem com um cor-de-rosa! O azul, minha cor preferida, me cairia melhor. Mas talvez fosse presente de alguém que esperasse que minha mãe tivesse uma menina. Até hoje eu gosto do azul. Até hoje eu não uso cor-de-rosa. Mas, recentemente ganhei uma bermuda que tem essa cor e então eu uso, afinal, presente é presente.

   Falando em presentes, nessa fase eu deveria ser bem mais lembrado. Hoje, nem em aniversários. No máximo, de algumas pessoas, uma mensagem numa rede social ou no celular…

   Acho que sei por que eu quase chorei. Eu quase chorei porque eu tinha tudo a meu dispor: quintal, plantas, dia das crianças, presentes, pessoas me chamando pelo nome, choro… Hoje eu não tenho nem lágrimas suficientes para chorar… Peço para alguém me fotografar no celular…




05 de outubro de 2014, 07:28 pm
Brasilino Júnnior

sábado, 19 de julho de 2014

ADEUS, RUBEM...

   Queria que se tratasse de uma mentira. Mas não é... É sempre triste dizer "adeus" a quem nunca queremos dizer nem ao menos um "tchau".
Rubem era meu amigo, embora ele nem soubesse da minha humilde existência. O conheci numa noite do dia 14 de setembro de 2006 em uma livraria e o trouxe para conhecer minha casa. Eu dei você a mim de presente justamente poucas horas antes do seu aniversário! Desde então, Rubem dialogava comigo através da sua fala escrita ou verbalizada.
   Estou perdendo hoje um amigo escritor. E justo neste mês de julho, onde comemoramos o Dia do Amigo e o Dia do Escritor. Aliás, vinha esperando com ansiedade esta última data para homenageá-lo. Farei a homenagem assim mesmo. Mesmo que ele não possa saber e que outros possam me chamar de oportunista. Não ligo. Em meio a esta dor não ouvirei  insulto, elogio ou qualquer outra coisa que me digam. Só escutarei a voz sábia de Rubem, que quando falava, a minha se calava. 
  Quando eu nem pensava em escrever, o que quer que fosse, Rubem já era Rubem. Eu fui um dos seus últimos amigos que ele fez, mas aproveitei ao máximo a sua doce e poética companhia. Ele sempre tinha algo a ensinar e eu, disposição para aprender.
  No fundo a gente sabe que essa hora vai chegar, mas fingimos que não. Ah Rubem, como sentirei saudades de você, cara! Você estava na minha lista dos melhores e ninguém vai conseguir te tirar deste seu lugar. Suas palavras eram tão suas e, ao mesmo tempo, tão minhas. Mesmo que algumas delas tenham sido ditas antes da minha chegada a este mundo do qual você se despede.
   Você escreveu tantos livros, mas eu vou sempre amar com o mesmo amor aquele intitulado Se eu pudesse viver minha vida novamente...  Quanta genialidade! Quanta simplicidade! Sempre que o relia sentia uma admiração a mais por ti. E não faz muito tempo que fiz isso pela última vez. Mês passado, para ser mais exato. Rubem, desculpa o palavrão, mas você era  f***! E é desta forma meio feia que termino este texto que não tem fim, porque a saudade que já sinto de ti não terá também um final.



                    Brasilino Júnnior, 19 de julho de 2014, 08: 31 pm






"Uma vez escrevi uma crônica sobre um amigo muito querido que morrera. Muitas pessoas ficaram tristes comigo pela morte do meu amigo. Mas uma delas me disse: 'Choro, não pela morte do seu amigo. Choro porque sei que não chorarei como você chorou pela morte de nenhum dos meus amigos...' "
                                                    (Rubem Alves)

quinta-feira, 27 de março de 2014

A UM POETA BRASILEIRO CHAMADO RENATO RUSSO


   Júnior para os familiares, Renato nasceu num dia como hoje, há 54 anos atrás. Dono de uma das mais belas vozes que o Brasil já teve, cantou em inglês e italiano, honrando o sobrenome Manfredini. Mas foi em bom português que ele se imortalizou, quando ainda estava entre nós, nos versos escritos por ele para a fantástica banda de rock Legião Urbana, que ele fundou com o baterista Marcelo Bonfá e que teve na formação até o fim o Villa-Lobos Dado (o guitarrista belga é sobrinho-neto do músico Heitor de mesmo sobrenome) e por três discos o baixista Renato Rocha, vulgo Negrete.
   Apesar do Russo, era bem brasileiro! Apesar de se ver  apenas como letrista, era bem poeta! E apesar de não ser um dançarino, tinha uma dança única nos palcos, que era uma manifestação raivosa, mas também engraçada de se ver! Com seus amigos Dado e Bonfá e sua música urbana para acampamentos, rodou o país inteiro com turnês que sempre enchiam as platéias de legionários! Eu sou um dos muitos que não viveram esse privilégio. Quem me dera ao menos uma vez cantar sem errar aquelas estrofes de Índios!
   Através das músicas, contou que em sua infância sentiu vontade de ir embora no seu primeiro dia na escola, e, ao sair dela, desenhava com giz e tijolo o sol na calçada depois de uma chuva. Tinha professoras com nomes incomuns, como Edilamar e Esperança e fingia ser soldado durante a tarde inteira quando as meninas estavam distantes. Já na juventude, foi um trovador solitário, mas gostava da idéia de ter uma banda, tanto que antes da “carreira-solo”, era integrante da rebelde Aborto Elétrico. Pela falta de gasolina e carro, às vezes, se amarrava em andar a pé na chuva para fugir do tédio com “t” maiúsculo, de quem só sabia quem em Brasília vivia, em meio ao regime da ditadura militar. Falava por horas e horas e horas ao telefone, possivelmente sobre som, com algum punk da Turma da Colina.
   Em sua arte, falou de si próprio com a mesma capacidade que falou dos anseios e angústias dos jovens. Criou como ninguém personagens como Eduardo, Mônica, João de Santo Cristo, Maria Lúcia, João Roberto, Clarisse... Questionou como poucos o Brasil em que moramos e afirmou que o mesmo é o país do futuro! De uma forma perfeita, celebrou com estupidez o lado podre da nossa república e emplacou hits atrás de hits, como as canções sem refrões Faroeste Caboclo e Há Tempos. A genialidade do trio de músicos foi capaz de criar melodias memoráveis como, pra citar algumas: a balada Angra dos Reis, o blues Pais e Filhos, a paradisíaca Vento No Litoral e a valsa Longe Do Meu Lado (que por sinal tem na poesia da letra uma seqüência de quase vinte versos terminados com a mesma sonoridade).
   Mesmo vivendo uma tempestade interna, não deixou de pensar nos mais novos, como em L’Avventura, Aloha, Dezesseis e O Livro Dos Dias. E o que dizer de A Via Láctea, o último sussurro poético de Renato Russo? Até na dor de uma febre ele foi brilhante e forte. Emocionou até os corações não-roqueiros. Dado Villa-Lobos falou em uma entrevista que o seu canto magnífico era capaz de fazer alguém chorar com um simples “Parabéns pra você...”

  
  Renato Russo é pra sempre e, nesse caso, esse pra sempre nunca acaba!



  Desses 54 anos, todos foram feitos pra mim.



  E quem sabe um dia eu escrevo uma canção pra você!



Texto de Brasilino Júnnior, escrito dia 27 de março de 2014, às 05:20pm, em São Luís-MA.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

TINGA E O 12º ADVERSÁRIO

Até o último dia 12/02, Tinga não era tão conhecido pelo grande público que não acompanha os noticiários futebolísticos diariamente. Poderia ter sido apresentado a eles de uma forma mais bonita. Craque como ele é, sendo destaque de todos os times pelos quais passou, bem que podia ser com um gol em uma final de campeonato. Daqueles que se repetem exaustivamente nos programas esportivos, de tão lindo e emocionante. Ou, quem sabe, com um drible único e desconcertante no adversário. Capaz de fazer a imagem rodar o mundo e crianças de todos os continentes tentarem reproduzir igual nas peladas com os amigos.
   Mas não. Tinga ganhou notoriedade no Brasil e no mundo por um outro motivo. Bem menos desportivo e mais desumano. Feio e infelizmente, ainda, comum. Seja no futebol ou fora dele. Jogando no Peru, defendendo a camisa do atual campeão brasileiro Cruzeiro, o volante foi obrigado a ouvir da torcida local vozes que imitavam a sonoridade de um macaco, a cada vez que este mantinha a posse de bola. E pensar que ele tocou na bola por várias vezes… Sabe-se lá o que se passava na cabeça dele quando sentia que a bola chegaria novamente a seus pés… Particularmente, torci para que fizesse um gol e calasse, ao menos por instantes, a boca daqueles que se sentem superiores a outros pela tonalidade da pele.
 Há quase dez anos, o mesmo Tinga foi injustiçado ao ser expulso de campo por simular um pênalti. Lembro bem da sua fisionomia ao ver aquele cartão vermelho, era quase de choro! Não era para menos: seu time na época, o Internacional, ficaria com um homem a menos, sem o pênalti para cobrar e, posteriormente a isso, sem o título, devido a esse e outros tantos ” erros” de arbitragem.
   Desta vez, se quisesse, Tinga poderia sair de campo. Tinha razão se assim fizesse. Mas não fez isso. Permaneceu firme até o fim, honrando seu futebol de cabeça erguida. Ao final da partida, foi cercado por repórteres de várias nacionalidades. E em bom português, mostrou seriedade e maturidade ao tratar desse delicado tema que é o racismo, esse mal que continua vivo na sociedade, embora muitos afirmem que ele não existe mais. Televisionado ou visto a olho nu, machuca quem sente, independente se é famoso ou anônimo.
   Tem faltado justiça, por isso aconteceu com o Tinga o que vem acontecendo há décadas com outros jogadores, em outros times, em outros gramados…








Brasilino Júnnior, 15 de fevereiro de 2014, 12:52 am

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

BOLHAS


Levantei com dores horríveis nas pernas neste sábado. Aliás, há algumas semanas tem sido assim. Um dia pior que o outro. Dói durante o meu andar, dói durante o meu parar, antes de deitar e, como agora, ao acordar. Não é exclusivo eu senti-las. Já tive isso quando criança e as dores são realmente as mesmas. É tão íntima em mim que parece que minha infância foi ano passado.
Fiquei inútil por um bom tempo naquela fase: era obrigado a usar calça o dia inteiro para a pele não ficar exposta ao sol e aos olhos alheios, que me enchiam de perguntas para as quais eu não sabia as respostas. Mas, o mais difícil mesmo foi ficar de fora do futebol por sei lá quanto tempo. Improvisava um banco de reservas na calçada e ficava sentado nele assistindo a todas as partidas, torcendo e comentando, com muita vontade de estar ali dentro. Às vezes era tão chato somente ver que eu deixava de lado os lances e me deitava no banco, olhando para o alto, para o céu! Aquelas cicatrizes permaneceram por anos e nem sei se todas realmente foram embora.
   Voltando ao presente, fiz tudo diferente: Demorei a me medicar e tomar outros cuidados, por achar que seria algo passageiro. E o pior, joguei futebol durante todos esses dias, o que agravou a situação em minhas pernas, pois além de correr intensamente nos jogos, vez ou outra caia ou recebia pancadas nas canelas. Amanhecia no dia seguinte todo feliz pelos gols e pelo bom futebol com os caras, porém com dificuldades após o banho para lidar com as dores.
   Meu descuido era tanto que nem percebi que o meu tornozelo direito (o osso) sumiu com o inchaço da pele. Mais parecia um pé daqueles pinguços de carteirinha. Foi a partir daí que a preocupação bateu e eu fiquei realmente triste em me ver naquele estado. Ficou tão feio que não suportava olhar para ele por muito tempo. Batia um desespero por um gelo para pôr em cima. Mas na falta, acabei ficando de molho na cama, repousando o máximo possível. Era um bom momento para me distrair olhando para o céu. Mas no alto só havia telhas.




São Luís, 08/08/2014

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

UMA ENCICLOPÉDIA CHAMADA NILTON SANTOS

   Como cresci lendo a Revista Placar, acabei me familiarizando com os grandes nomes e imagens dos jogadores de futebol do Brasil e do mundo. Tantos os atuais quanto os que já haviam encerrado as suas brilhantes carreiras. Me fascinava ler as histórias de vida de cada cara, que quando se vestiam de craques nos gramados, eram aclamados e respeitados por torcedores, inclusive os rivais.
   Muitos deles, que fizeram parte das seleções campeãs de 58, 62 e 70, recebiam até apelidos por seus feitos. E isso me chamava a atenção, pois estes apelidos me lembravam títulos de filmes, livros...
Amarildo era O Possesso. Pelé, O Rei do Futebol. Garrincha, O Anjo de Pernas Tortas ou A Alegria do Povo. Jairzinho, O Furacão da Copa (de 70). Zico, O Galinho de Quintino. E Nilton Santos, A Enciclopédia do Futebol. Este, era um dos que me chamavam mais a atenção. Como um lateral-esquerdo poderia receber uma perífrase tão interessante? Anos depois, quando passei a ler mais sobre ele em particular e a assistir suas entrevistas é que fui entender o porquê da "Enciclopédia". Era por causa da sua inteligência que constantemente era usada nas jogadas, muitas vezes, para desconsertar o adversário.
   Apaixonado pelo carioca Botafogo, time da Estrela Solitária, a ponto de dedicar todo o seu talento por dezessete anos, demonstrava seu amor em campo e em palavras: " Assinei três contratos em branco, no auge da minha carreira. Era uma prova de amor. Faria tudo de novo. Tudo o que sou devo ao Botafogo. Só vesti duas camisas na vida: a do Botafogo e da Seleção Brasileira." 
   Das histórias de sua época de jogador, as mais marcantes, pra mim, são a da sua influência na contratação de Garrincha e daquela lance antológico, em que ele deu dois passos para fora da área, evitando o juiz de marcar um pênalti contra a Espanha.
  Esse tipo de amor, raríssimo em dias atuais, que se recusa a vestir outro uniforme por uns trocados a mais, vai fazer falta daqui pra diante com sua morte.





"Tu, em campo, 
parecias tantos,
e no entanto,
que encanto! 
Eras um só,
Nilton Santos."

(Armando Nogueira)



Brasilino Júnnior, 28 de novembro de 2013.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

NÃO PERGUNTE A MINHA IDADE

Aprendi que não existe crianças, adolescentes, adultos e idosos. Não há idade. Não há novo. Não há velho. Existem idades, mas a fronteira que os outros dão a cada uma delas não, necessariamente, precisa ser a mesma que você dá a sua.

A biologia da vida nem sempre respeita a cronologia do tempo. Ou vice-versa. O novo nasce "velho" e o velho ainda é "novo". Na forma e no conteúdo. No corpo e na alma.

Para quê contar a idade, se você sonha com a eternidade? Para quê contar aos outros sua idade, se o que vai contar é a sua (falta de ) maturidade?

A quantidade de aniversários comemorados nem sempre acompanha os nossos passos. Para alguns, os passos estão bem adiantados. Para muitos, eles ainda estão atrasados. Depende do que cada um recebe da vida.





Brasilino Júnnior, 26 de novembro de 2013.





"É melhor ser velho com cara de novo do que novo com cara de velho." (Brasilino Júnnior, na infância)

"Viva a sua vida e esqueça a sua idade." (Francis Bering)

"Números são apenas números! Só pergunto a idade pra saber o tamanho da mente." (Felipe Ferreira)

"Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem." (Sandy Leah)

"A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades." (Nelson Rodrigues)

"Eu sou aquela pessoa que não aparenta a idade que tem. Nunca me incomodei, as outras pessoas sim." (Brasilino Júnnior em Eu Sou Aquela Pessoa, 24/11/2009)

"Idade é para carteira de identidade." (Brasilino Júnnior, 11/05/2010)

"Velho eu? A idade é só um número!" (Brasilino Júnnior, 2012)

"Idade nem sempre denota maturidade." (Brasilino Júnnior, 26/07/2013)

"Hoje já não faço anos. 
  Duro.
  Somam-se-me-dias.
  Serei velho quando o for.
  Mais nada."

  (Álvaro de Campos)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

MEMÓRIAS DE UMA MEMÓRIA SOLITÁRIA

Hoje acordei com uma notícia boa: Solitude, um texto de minha autoria teve, exatamente seis meses depois de escrito, 46 reblogs no Tumblr da Jéssica Zampieri, do estado de São Paulo (http://trechosdaliteratura.tumblr.com/). É um dos meus preferidos e lembro como e quando o escrevi, naquele fim-de-semana solar e solitário. Gosto dele porque tive a felicidade de escolher as palavras certas para expressar no papel aquilo que passeava em meus pensamentos. Talvez tenha sido isso, essa precisão textual, que tenha agradado a estas 46 pessoas, pois ele não é um “texto coletivo”, muito pelo inverso, é bem pessoal até! E pensar que ele quase foi para o ralo…
   Com a preguiça de buscar um papel e uma caneta, escrevi de onde eu estava, num quase descarregado celular. A bateria, já bem comprometida, não suportou as primeiras palavras e deu um “até mais”. Eu, sem mais, corri à procura da primeira folha virgem que encontrei na mesa e consegui passar para o papel em branco exatamente as mesmas palavras, pois elas ainda estavam vivas em mim.
    Solitude fala de algumas mudanças (algumas delas contra a minha vontade) que sofri desde a infância até aqui, das mudanças tecnológicas que interferiram nos meios de comunicação e de como a maioria das pessoas não aprenderam ainda a fazer o bom uso disso.


Brasilino Júnnior, 18 11 13.

domingo, 20 de outubro de 2013

CONVERSA LITERÁRIA DE UM POETA (BRASILINO JÚNNIOR)

                                                           
                                                                                                             
                                                                                                              
1.INÍCIO
Acho que a poesia foi o que de melhor me aconteceu naquela fase e muito me estranha que até hoje ela esteja comigo depois de dez anos. Na verdade, eu queria apenas pôr no papel, muitas vezes até em forma de desabafo, aquilo que eu estava pensando e vivendo naquele momento. Depois disso, eu pretendia seguir minha vida como qualquer pessoa que buscava sua independência pessoal e profissional após o ensino médio. Não acreditava mesmo que aquele hobby se tornaria algo fundamental na minha vida.
2.ESCREVER POESIAS
Acredito que qualquer pessoa seja capaz de criar uma poesia, mas acho que quando se tem um dom, as coisas ficam bem mais fáceis, mesmo que este se desenvolva na fase adulta, que foi o meu caso. Com 13 anos eu fazia músicas (letra e melodia) e nessa época eu pedia a Deus que ele me desse a capacidade de criar uma somente. Eu tinha a ingenuidade de pensar que este universo da arte não era para mim. Como eu me contentava com pouco, acho que por isso Ele me deu o talento para eu ir mais além e hoje eu vejo isso como uma missão.
3.MODO DE CRIAÇÃO
Não tenho método. Não tenho horário. Nasce tudo naturalmente, bem espontâneo. Gostaria muito de escrever quando eu quisesse e para quem eu quisesse, mas sou guiado pela inspiração. E na maioria das vezes sou pego de surpresa: às vezes quase dormindo, caminhando pela rua, andando de bicicleta, sem um papel ou caneta próximos. Às vezes penso que tenho que andar sempre com um bloquinho no bolso, mas acho que isso vai me deixar mais automático, sempre esperando por aquilo que talvez não venha. Mas tem funcionado assim desde sempre, melhor deixar como está. Eu memorizo os versos até chegar em casa, se for preciso. Minha fórmula é não ter fórmulas.
4.TEMA PREFERIDO
Eu sinto que as pessoas, de uma forma geral, tem uma enorme preocupação em buscar rótulos nas coisas, nas pessoas, na arte… Se alguém usa um determinado tipo de roupa ou ouve um determinado estilo musical, as pessoas apontam quando elas mudam isso, de alguma forma, num belo dia. Essa busca de uma identidade é até válida em alguns pontos, mas acredito que ninguém deve se limitar e ficar preso a algo a vida inteira, quando elas podem experimentar outras possibilidades. No meu caso, já me perguntaram muitas vezes qual é o tema que eu mais exploro. Quando digo que não tenho, alguns até insistem afirmando que todo poeta tem sempre algum que ele goste mais. Alguns temas meus são bem específicos: chuva, sol, saudade, amizade, Deus, felicidade, solidão… Mas eu percebo que é uma minoria, da mesma forma que percebo que em um só poema estão vários temas ali. Um bom exemplo é o sol, que se faz presente em muitos versos das minhas poesias, ora como o centro da conversa, ora como parte do cenário apenas. Mas pondo um olhar mais clínico em toda a obra, eu acho que o meu forte é a crítica social (normal para quem ouve rock, reggae e rap), a coisa de mudar o mundo, melhorar a nossa realidade. Ou, fazer com as pessoas reflitam em algo que faz parte da vida delas também.
5.POESIA PREFERIDA
Essa é uma questão que não há resposta. Ainda mais eu, que não me limito a somente um tema. Se já é complicado escolher a minha preferida de cada tema, imagina escolher a preferida de todas. E seria até injustiça da minha parte fazer essa escolha, até porque todas elas, de alguma forma, tem a sua importância para mim.
6.INSPIRAÇÃO
Acho a inspiração primordial, não só na poesia, mas em qualquer outra arte. Mas antes dela tem que vir o sentimento. A poesia não nasce quando você a escreve, ela nasce a partir do momento em que ela passa a viver dentro de você. Aí, pode ser qualquer coisa: amor, ódio, alegria, tristeza… Quando a caneta resolve encontrar o papel, na verdade, ela simplesmente transfere o que estava criando raízes no coração. Como uma criança, ela vem ao mundo no tempo certo. Nem antes, nem depois.
7.RIMAS
No início, eu achava que poema sem rimas não tinha muito valor. Hoje, acho isso uma bobagem, tanto que procuro escrevê-los com poucas rimas, mas não consigo. Antes de terminar o final de um verso, já estou buscando na mente uma outra que rime com aquele. Mas, a maioria das minhas rimas vem naturalmente mesmo. Eu não faço muito esforço para que isso ocorra.
8.MUSA INSPIRADORA
Poeta que se preze deve ter, ao menos, uma. Mesmo que ela nem saiba da sua existência. Mesmo que ela não leia poesias. Não sei para quantas já escrevi, embora não tenha sido muitas: da minha mãe à minha sobrinha, de meninas que conheci pessoalmente a outras que não tive oportunidade de conhecer. Depois de tantos anos, cheguei a conclusão de que muitas são inspirações, poucas são musas.
 No entanto, é sempre bom escrever algo sobre as mulheres, mesmo que isso não agrade a algumas. Apesar de um número considerável no currículo, escrever poemas sobre a beleza feminina é um desafio e tanto, pois ao mesmo tempo em que cada uma delas tem uma característica própria, todas têm algo em comum. E é aí que entra o desafio de não se repetir nas palavras. Quase todas as “minhas” musas têm o nome como título do poema. Algumas não tive a chance de mostrar ou sequer falar da existência, mas tudo bem...
 9.POETA PREFERIDO
Eu frustro muita gente quando me perguntam qual é o meu poeta preferido e eu não tenho resposta. Eu comecei a escrever mesmo impulsionado pelos caras letristas do rock nacional. Vem daí minha influência, embora eu não queira ser comparado a nenhum deles, porque cada um tem seu modo de se comunicar e eu nunca tive a pretensão de imitar o estilo de alguém, só queria também ter o direito de me expressar com a caneta e o papel, já que eu não sei cantar e bem menos tocar algum instrumento musical. Essa foi a maior lição que aprendi no rock’and ‘roll. Mas fora estes, eu gosto de muitas coisas que li avulsamente do Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana e Clarice Lispector, pra citar alguns. Há uns dois anos conheci a Clara Mello e sou apaixonado pelo jeito dela de escrever. A poesia Clara que escrevi é uma singela homenagem a ela.
10.PARCERIAS
Não sei se antes de mim, alguém já escreveu poemas fazendo parcerias com outras pessoas. Eu, pelo menos, nunca ouvi falar. Mas, o fato é que já escrevi com três meninas. A primeira parceria rolou casualmente em junho de 2012 com a Angelina Fernandes. Era uma mensagem de aniversário para uma amiga em comum, chamada Rosinete Cristina. Eu achei bonita e quando li aquilo me veio no mesmo instante idéias de continuação. Eu escrevi e então perguntei a ela se eu poderia fazer uma poesia a partir daquelas palavras. Depois que ela me autorizou, eu confessei que já estava pronta há muito tempo e deixei pra ela a responsabilidade de dar o título, que, inteligentemente, ela chamou de Céu Azul. A segunda parceria foi uma coisa pensada e foi com a mesma Rosinete. Nós já tínhamos combinado de tentar criar algo juntos antes dela chegar aos 18 anos (porque quando a Angelina nos apresentou ela tinha 16). O interessante é que a poesia que a gente criou é bem diferente de tudo que eu já fiz, é bem fictícia e fala de uma menina que sofre por amor em silêncio e a história não tem um final feliz. Eu comecei os primeiros versos, daí ela fez o meio e eu finalizei. O título, que ela preferiu que eu escolhesse, se chama Melancólica. Antes da gente pensar nisso, eu a convidei para fazer o prefácio do meu livro. Já a terceira parceria é com uma escritora de mão cheia, não sei a idade dela, mas ela é bem mais nova que a Rosinete quando nos conhecemos. Ela se chama Evelin J. Mendes e apesar da pouca idade, escreve como gente grande. Um belo dia (ou noite) ela perguntou se eu gostaria de ler algumas frases dela. Ela me mostrou não frases, mas uma espécie de poema inacabado de apenas uma estrofe de três versos. Daí, eu li aquilo e achei demais, porque até então só conhecia os textos dela. No mesmo dia eu dei mais um verso para aquela estrofe e fiz mais uma, também de quatro versos, também sem ela saber. Dias depois, eu falei que havia feito algo com as ”frases” sem a permissão dela e não sabia qual seria a sua reação. Antes de mostrar pra ela, pedi desculpas pela ousadia, mas ela gostou muito, achou perfeito. Por ela, a obra acabaria ali, mas eu prefiro que a gente dê ao menos mais uma estrofe antes de criar o título. Fora estas parcerias citadas acima, já combinei duas com um rapper chamado Front MC. Uma letra minha eu ofereci a ele e a gente está à procura de uma menina que cante, já que eu escrevi Se Não For Por Amor para uma voz feminina. Ele ainda vai fazer a parte dele nessa composição e a minha parte vai virar “refrões que não se repetem”, acho que o Rap é um dos estilos musicais que mais usam esse tipo de recurso. A segunda parceria partiu dele quando me convidou pra eu recitar uma poesia minha (Profissão: Poeta) dentro de alguma faixa do primeiro trabalho dele. Vou me esforçar pra que essa minha participação saia da melhor forma possível. Com exceção das duas primeiras, acredito que com o tempo, a gente escreva outras coisas, assim espero.
11.DIVULGAÇÃO
Eu mesmo me divulgo. Quer dizer, as minhas poesias. E pra quem não é conhecido, eu sou até bem conhecido. Ando sempre com alguns escritos na mochila e mostro ou leio para as pessoas na base da cara-de-pau. Com isso, até conheci um artista plástico que se ofereceu pra criar a capa do meu primeiro livro, já li uma poesia numa rádio, numa igreja no final da missa na véspera de Natal, fui chamado pra participar pela poetisa Sandra Regina de São Paulo a fazer parte de um grupo de compositores desconhecidos do grande público...  E também fui convidado de uma poetisa para me apresentar na Feira do Livro de São Luís. Mas, como ela sugeriu que eu declamasse ao invés de ler, eu acabei não topando. Primeiro porque não gosto e nem sei declamar teatralmente e segundo porque o meu poema que ela escolheu era bem ruim de decorar e declamar, porque tinha que subir e descer o tom da voz a cada verso e fora que ele é bem triste também, já que trata de racismo. Era muita coisa para eu aprender em poucos dias. Da mesma forma que foi um passo maduro eu ser convidado, também foi um passo maduro eu não ter ido, porque eu sei dos meus limites e não gostaria de apresentar um trabalho só por vaidade. Apesar da maioria não ter entendido a minha postura na época, eu fiz o que era certo. Mas, eu fiquei muito honrado pelo convite.
12.VERSOS NOS OUVIDOS
Eu criei esse projeto em 2011, mas nem tinha nome e ele nasceu sem essa pretensão de ser o que ele se tornou hoje. Oficialmente, já teve quatro edições (Dezembro-2012, homenageando o Natal; Março-2013, homenageando o Dia Nacional da Poesia; Julho de 2013- homenageando o Dia Mundial da Amizade e a última encerrou ontem, que homenageou o Dia do Poeta). O Versos Nos Ouvidos consiste basicamente em eu ligar para o maior número possível de pessoas dentro de um prazo e ler pra elas uma poesia escolhida especialmente para aquele evento. Apesar de não ser um leitor nato, a maioria dos ouvintes gostam da idéia e eu recebo deles muitos elogios, o que dá um impulso pra eu continuar com isso, talvez incluindo poemas de poetas já consagrados. Não tenho o número exato de ouvintes nesses dois anos, porque nunca parei pra contar. Mas a reação de cada ouvinte em particular não tem preço. Merecia um capítulo à parte só pra contar essas histórias. A meta daqui pra diante é atingir pessoas de estados que eu ainda não cheguei. 
13.FÃS
Não gosto muito do termo fã, prefiro chamá-los de leitores. Soa engraçado até, já que ainda não tenho nenhum livro publicado. Mas algumas pessoas já me confessaram que são meus fãs, porque se identificam, gostam do que eu escrevo e de como eu escrevo. O interessante é que alguns nunca me viram pessoalmente. Mas os telefones e as redes sociais estão aí pra isso: para encurtar as distâncias. E basicamente, todos estes “leitores” que conheci através da minha arte se tornaram amigos, próximos de mim. Alguns até me mostram algo que escrevem pra saber o que eu acho.
14.ENTREVISTA
Os meus amigos e as pessoas que eu conheci através da minha poesia me perguntam tantas coisas que eu já me sinto um entrevistado. Mas, entrevista formal mesmo só tive uma, ano passado para um blog da então adolescente Amanda Caroline, do Rio de Janeiro. Até hoje eu agradeço a ela por essa oportunidade que ela me deu, pois muita gente pôde conhecer um pouco da minha trajetória e só chegaram até a mim críticas boas. Foi tudo muito rápido: ela prometeu que ia me entrevistar numa quarta e dois dias depois ela chegou com as perguntas, sem eu saber. E na mesma noite ela publicou. Fiquei muito surpreso porque a tal entrevista pra mim, ia rolar, sei lá, quando eu tivesse um livro publicado. E, no final de tudo, foi bom pra mim e para o blog dela. Que por sinal, é uma honra estar ali, primeiro porque eu já era fã dele bem antes da entrevista e segundo porque a poesia não é o que ela dá mais destaque em suas resenhas. E mesmo assim, ela fez boas perguntas. Porque eu não sabia nada do que ela iria me perguntar.
15.LIVRO
Ainda não tenho livro publicado. Tenho material para, no mínimo, uns três livros. Mas, ao menos um de poemas eu quero ter. Embora eu escreva muito, não quer dizer que todos são bons e que sejam dignos de estarem presentes ali, em alguma página.
16.EDITORAS
Sinceramente, eu não tenho a menor vontade de procurar por uma. Tenho receio de ficar refém de algumas pessoas que só visam lucros e perdem o foco principal, que é a arte. Temo assinar algum papel que autorize alguém de terninho a mandar posteriormente naquele trabalho que eu fiz sozinho. Por outro lado, não escrevo de um jeito acadêmico, clássico. Acho que não agradaria a nenhuma editora. Também não quero um livro meu com uma série de nomes de lojas e empresários na parte dos agradecimentos. Nada contra quem faz esse tipo de parceria, mas eu futuramente, não gostaria de ver um livro meu mais parecido com um abadá. Acho que bancar a própria arte tem mais a ver com aquilo que eu acredito enquanto artista. É um caminho complicado, é verdade, mas lá na frente vai valer a pena ter derramado tanto suor.
17.INTELECTUALIDADE
Eu tenho facilidade em escrever palavras que eu não falo. E dificuldade em falar palavras que eu escrevo. Não sou um intelectual, do tipo burguês que “fala difícil e escreve difícil”. Eu gosto de escrever simples, embora a intelectualidade também se encontra na simplicidade. Procuro escrever de um jeito que qualquer pessoa entenda de imediato, sem precisar recorrer a um dicionário. Eu faço a poesia que eu compraria. A palavra poeta tem um peso enorme e acho que isso faz com as pessoas me vejam como alguém superior a elas. Eu sou uma pessoa comum e não me considero melhor que ninguém. Apenas escrevo, uma atividade que muita gente faz nesse mundo. Acho que o fato de escrever poesias me faz mais humano até, pois todos os sentimentos passam pela minha caneta.
18.HISTÓRIAS DE POESIAS
Eu tenho um blog com este nome onde publico histórias de poesias das minhas poesias, da motivação inicial que nasceu em mim para que eu pudesse escrevê-las. Eu tenho dificuldade de explicar porque escrevi tal coisa. Em algumas, eu mesmo demoro pra me entender porque eu escrevi aquilo. Na verdade, nem sei se devo ficar explicando a todo momento o porquê de cada vírgula. Mas, de qualquer forma, me serve como um exercício mental escrever cada uma dessas histórias e ficar relendo-as depois de algum tempo. Convidei algumas pessoas que fazem parte dessa minha vida literária pra participarem dele. Como a maioria me abandonou quando eu tava prestes a colocá-lo no ar, eu resolvi seguir sozinho com ele. Costumo dizer que ele é o blog mais poético da internet: Tem céu azul, é florido como o jardim e inocente como um sorriso de uma criança.Eu sei que ele não é, mas tento guiá-lo sempre nessa linha.  Ele tem pouca divulgação e acompanhamento, mas para a minha surpresa, a história sobre a poesia Brenda tem mais de 300 visualizações. Há também nele um texto-poético que a Angelina escreveu especialmente pra mim e duas entrevistas: uma com a minha mãe Maria Augusta e outra com a Cristiana Pereira, que gentilmente aceitaram o convite para serem entrevistadas.
19.10 ANOS
Passaram-se muito rápidos estes anos. Parece que foi ontem que tudo começou. Aprendi muito nessa década e as mudanças vieram à medida que eu escrevia. Como eu escrevia muito no início, a ponto de encher três cadernos pequenos, a maturidade no texto veio cedo. Na época, não achava nada demais, mas hoje quando leio alguns versos de 2004, por exemplo, vejo coisas geniais ali, pra quem tinha visto e vivido poucas coisas da vida. Sinto saudades dos primeiros anos, onde eu escrevia sem a preocupação do que os outros iam pensar ou dizer, embora eu não tenha abandonado esta postura nos dias atuais.
20.DIA NACIONAL DA POESIA
Descobri que nasci nesse dia arrumando os meus cartões telefônicos que colecionava. Lendo um deles, vi que o Dia Nacional da Poesia tinha sido escolhido para este dia porque foi nesta data que o poeta Castro Alves nasceu. Mais interessante nisso é que ele, como baiano, também é nordestino e lutava com sua poesia em favor dos negros escravizados. Hoje sou mais empolgado do que na época desta descoberta. É uma coincidência incrível. No meu último aniversário, foi o primeiro que as pessoas fizeram essa associação. Acho que umas cinco pessoas me lembraram esse fato, que eu não nasci no dia certo, que eu sou poeta e poesia... De fato, tem um sabor especial para um poeta nascer no dia em que se celebra a Poesia em seu país!
MENSAGEM PARA OS NOVOS POETAS
Eu não me acho a pessoa mais certa para aconselhar quem tá iniciando, eu me vejo como um aprendiz até hoje. Mas eu digo que se você agrada a si próprio com o que você cria e se sente bem, acho que isso vai chegar também nas demais pessoas da mesma forma. Principalmente quando há ali nos versos muita verdade e sinceridade.





(Brasilino Júnnior)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

ENTRE NÓS



Depois que leu Final De Um Poema, uma leitora e seguidora deste modesto blog, me escreveu isso: “Cara, sem palavras, parece que foi escrito pra mim, é exatamente o que se passa na minha vida neste exato momento... Simplesmente perfeito!!!! “(19 09 13)
Cinco dias depois ela me falou que havia usado uma frase minha e escrito algo e me mandou perguntando se tava bom. Eu gostei da referência e do texto, tanto que estou postando hoje aqui no DLP...



"Algumas pessoas são como drogas. No início a sensação é boa e te faz se sentir bem. Te faz ficar viciado e você percebe que não pode mais viver sem, então começa a te fazer mal e você sabe que precisa se livrar disso, mas é um processo doloroso e a recuperação leva tempo. Mas depois de superado o vício você percebe que é possível continuar sem a droga. Mas nunca esquece a sensação que ela te traz..."
Aline Cristine

terça-feira, 20 de agosto de 2013

FISICAMENTE FALANDO


Quando estou com os olhos dentro das páginas de algum livro ou com os ouvidos entretidos em um fone ouvindo música, raramente sinto-me só. Se pensar bem, eu nem estou mesmo sozinho. A literatura e as letras cantadas têm este maravilhoso poder de nos fazer companhia quando estamos fisicamente solitários, quer seja numa praia, praça ou na sala de casa. Lugares onde um dia você esteve acompanhado de pessoas e vozes.
Deus, quanto tempo perdi! Quantos autores e cantores eu apenas cumprimentei e parti, em busca de rostos que nunca me deram oportunidade apenas de olhar em seus olhos. Ou, simplesmente perguntar se a vida ia bem. Mas hoje não. Hoje não dou mais este prazer àqueles que nem sequer merecem a minha saudade. Se ela lembrar que eu ainda existo, logicamente, não irei rejeitá-la da mesma forma que fui descartado.
Quando você sentir a falta da minha presença, saiba que não sumi da sua vida. Apenas respeitei o teu desejo de não me ter por perto, certo?




Brasilino Júnnior


São Luís-MA, 19 de agosto de 2013.






domingo, 11 de agosto de 2013

PRÓXIMOS DOMINGOS

Um Feliz Dia dos Pais para o melhor pai que conheço! Obrigado pela responsabilidade de carregar seu nome no meu!
Obrigado pela sua presença em minha vida, mesmo quando estamos distantes um do outro, ligados apenas pelas lembranças.
Muito do que eu sei hoje, aprendi mais com você do que na escola, independente do assunto (política, futebol, música, trabalho, personalidades).
Que possamos prosear muito ainda nos próximos domingos de agosto, setembro, outubro...


Do seu 10º filho Brasilino Jr.
10/08/13-11:51pm
São Luís-MA 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

MEU INVERNO NÃO É TRISTE


Continua chovendo… Está frio! Não irei sair para lugar nenhum, eu gosto de chuva. O dia está lindo! Quem me dera fosse sempre assim: Eu aqui, sentada na sala, olhando através da janela a força dos pingos d’água se arremessando ao chão. Mas, sei aproveitar o momento, pois, mesmo sem nuvens, o céu é contemplável. E então, minha alma se enriquece daquela visão e me faz esquecer-me por alguns instantes dos problemas que me aparecem.

Admirável é em mim este poder de parar para visualizar a natureza. Não importa qual ela seja. Independente da sua estação. Eles não são como nós, poeta, que só sabem escrever a palavra verão em suas agendas, nos seus cadernos de anotações. Gritam pelo sol como um esfomeado, sedento por comida. Mas, quando este surge com seus raios intensos beijando suas faces, buscam apressadamente um esconderijo, como a sombra mais próxima de uma centenária árvore.

Ainda bem que eu não sou assim. Ainda bem que nós não somos assim. Pois aprendi desde cedo que não é a cor do céu que interfere em nossos sentimentos. Somos nós que decidimos como vamos nos portar diante do calor ou do frio. Ainda é 09 :36 da manhã deste sábado. Diferente dos outros, não irei me entristecer se o dia for inteiro assim…




FIM




Autores: Ivaniely Morais e Brasilino Júnnior 

domingo, 21 de julho de 2013

FELIZ DIA DO AMIGO




Os meus amigos devem estar escondidos em algum lugar, ainda não os encontrei. Não sei o que tem feito mudar o conceito de amizade nas pessoas. Amigo tem sido cada vez mais raro e se não estivesse falando de seres humanos, acho que encontraríamos um no museu ou em algum antiquário.

Gostaria muito de saber o que as pessoas tem colocado no lugar deste sentimento que, para muitos, é mais importante que o amor. Talvez um Ipod ou um Ipad. Ai de mim, que guardo princípios que poucos ainda conservam nos dias atuais.

Aqueles a quem contávamos nos dedos de uma só mão, nos frustram de alguma forma a ponto de me fazer pensar que nem só os medicamentos contém prazos de validade! E aquele “camarada” que ia à sua casa e te considerava um irmão, nem te cumprimenta mais com a mão. Quem te deu nota 10 no bimestre passado, não te dá nem um 5 neste, mesmo você acertando todas as questões daquela matéria. O companheirismo me parece que perdeu de vez a sua vez para o sempre convencido individualismo.

Uma conversa como aquela não mais se repetirá. Entenda que simplesmente seu prazo acabou e você precisa se reciclar para, um outro alguém, agradar. Não se entristeça se a mesma pessoa que dizia “eu te amo” não te diz mais nada, nem uma palavra. Você não é o único, se te serve como consolo.

Quem me ligou ou fez questão de me dar um abraço no 20 de julho do ano passado não apareceu este ano. Tenho motivos para pensar que quem me chamou de amigo neste ano não surgirá no próximo…

Um por um e todos por nenhum…



Feliz Dia do Amigo para quem foi um dia meu amigo.



Brasilino Júnnior, 20 de julho de 2013, 10:50 pm

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SOLITUDE

                                                        


Com os olhos fixos no céu por algum tempo, minha visão escureceu quando voltei meu olhar para dentro de casa. Costumava fazer isso antigamente. Atualmente, pouca coisa ficou. Os anos passaram e levaram muito do que eu era: Eu não usava óculos; os pequenos cachos enrustidos deram lugar a tranças grandes. Era comum um boné na cabeça. Hoje sou mais adepto dos gorros. Ainda gosto de ler e escrever e ouvir música, além de procurar desenhos nas nuvens. Muitos dos meus K7's estão dando vida a poeiras dentro de alguma caixa esquecida. Acredito que leio menos do que antes e minha caligrafia mudou freqüentemente. Nunca mais recebi uma carta destinada a mim. Os meios de comunicação mudaram. No entanto, os erros de português eram autênticos, diferentemente de hoje, em que escrever errado, propositalmente, é quase uma lei. Outorgada por alguém que desconheço e por um motivo que ignoro. Independente disso, tenho muitos contatos (perfis em redes sociais e números na agenda telefônica), mas poucos contatos (comunicação). Eu deveria sentir-me menos solitário agora do que quando eu tinha apenas 9 anos.




Texto: Brasilino Júnnior.
São Luís, 15,16/06/13. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

MEU POETA PREFERIDO NUNCA ESCREVEU UM LIVRO



 Pelo fato de escrever poesias, é comum as pessoas me perguntarem qual é o escritor que mais admiro. Para não deixar ninguém sem resposta, eu acabo citando alguns. Pois, na verdade, não tive oportunidade de ler tantos livros do gênero, a ponto de criar afinidade por algum poeta.
 Sem dúvida alguma, onde mais recebi influência para escrever foi na música, uma parente não muito distante da poesia. Sempre gostei de ler letras de músicas, independente do cantor ou gênero. Quando o encarte do CD é composto apenas por fotos e informações básicas, fico até desapontado, pois algumas palavras quando cantadas lembram outras palavras, e a canção, às vezes, ganha um outro sentido, quando não perde o único que ali existe. Vindo deste princípio, os álbuns musicais eram na minha infância e adolescência, como livros, tamanha era a viagem que eu fazia trancado no quarto.
 Neste período, comecei a gostar das letras das bandas do rock nacional. Das que surgiram nos anos 80 e 90, gosto de quase todas. Algumas mais, outras menos. As músicas de protesto foram as primeiras com que me identifiquei. Acho que por isso abracei o rock and roll, pois neste sentido, ele traduzia muito do que eu pensava como cidadão comum. Destas, a que mais me impressionou foi a brasiliense Legião Urbana. Eu já conhecia algumas canções (Eduardo e Mônica,  Faroeste Caboclo, Há Tempos, Pais e Filhos) que costumavam tocar no primeiro rádio a pilha que meu pai me deu, lá nos meus 8 anos de idade. Mas, nesse período eu não sabia o nome de muitos artistas.
 Somente cinco anos depois, quando tive acesso ao terceiro disco deles que minha vida nunca mais foi a mesma. Ao ler aquela primeira estrofe de Que País É Este?, percebi que tinha ali uma nova possibilidade, um novo caminho para encarar a vida. Era rebeldia, mas não era uma rebeldia vazia (tatuagens, piercings e roupas pretas), era uma rebeldia de dentro pra fora, com poesia (letra) e melodia (voz, violão, guitarra, teclado, baixo e bateria).
O que me impulsionou a gostar da Legião foram as letras. Mas, tudo neles me agradava: a voz e a forma de como Renato Russo interpretava as canções que ele escrevia, a batida que Marcelo Bonfá fazia em sua bateria e os acordes que Dado Villa-Lobos tocava em sua guitarra. Era tudo tão simples e ao mesmo tempo tão sofisticado. Até hoje quando escuto ou leio alguma letra, volto a sentir aquela sensação indescritível de anos atrás.
Ao longo do tempo adquiri bastante material da banda ou de algum integrante em especial. Entre estes, está Alfabeto Urbano, um caderno escrito por mim, quando tinha 16 anos. Nele contém todas as letras da Legião Urbana em ordem alfabética e cronológica todas as poesias escritas por Renato Russo. Este poeta genial do rock que nasceu dia 27 de março de 1960 no Rio de Janeiro e que em apenas 36 anos escreveu sua marca no mundo da música e nos corações perfeitos dos filhos e netos da revolução.


Obrigado Legião Urbana.







Urbana Legio Omnia Vincit
Ouça No Volume Máximo
Força Sempre





Brasilino Júnnior, 27 de março de 2013.